McCann’s family will be in the media for the rest of their life

(Translation courtesy of Li)

From empathy to distrust, several British journalists recognise that excesses were committed in the cover of the disappearance of Madeleine McCann but they deny that the interest for the private life of the family will decrease.

“What we have done to this couple was not our best moment as journalists”, recognises the ex journalist Roy Greenslade in declarations to the Lusa agency, a year after the disappearance of the British child with 3 years old from a flat in Praia da Luz, Algarve.

Esther Addley, sub-editor of The Guardian agrees “it was not edifying, nor admirable” what was written and said in the United Kingdom about the case.

“But when we have so many journalists trying to get the slightest piece of news it is at that time that we risk things getting out of control”, she notes.

Only one day after the 3rd of May of 2007, the issue was opening the news of all channels and front cover of all British newspapers – without speaking of the Portuguese, Spanish and even German or Japanese – and the little village in Algarve was invaded by journalists.

Some of the interest generated in public was due according to Adley to the fact that several persons identify themselves with the situation which led the journalists to show empathy with the case.

“It is a story that affects many people because it is a medium class story, a nightmare to go to a calm touristic resort and a child goes missing”,she justifies.

But Greenslade, actually a teacher in the City University, London, understands that the posture grew, first to a phase of scepticism, “which is the right attitude that should be adopted by journalists and after to distrust when they were treated as suspects”.

In his opinion this is the dominant position now even because the newspapers reflect the doubts and reproach of the readers concerning the McCanns.

“The great majority of people in United Kingdom thinks that they should not have left their children (alone), he says quoting numbers of a poll made in the Internet for the Sunday Times in August of 2007, when around 70% of the British condemned the couple for leaving the children alone.

The tendency is proved by the big number of hostile comments received in the website of Sky News about the issue, that refers to Lusa the journalist Martin Brunt is superior to the messages of support.

But the correspondent of Justice issues of the news channel considers that the British press continues in general to support the McCanns and the criticism was redirected against the Portuguese police due to the idea of facing a “weak police investigation”.

“The difficulty of knowing with exactitude what the police is doing led to the criticism of the press and to the impression that the investigation is not going anywhere”, he says.

An important changing moment in the way how the the case was covered was the action initiated by the McCanns against the Express group, Daily Mirror and Daily Star, that were obliged to apologise and to pay a financial compensation.

Although the defamed content was allegedly taken from news published in Portugal the newspapers were obliged to admit that there are no evidences that the parents are involved in the disappearance of their daughter as they insinuated.

Esther Addley, that reads Portuguese, was scandalized very often with what she read in the Portuguese press and astonished that the Portuguese journalists were not worried with the legal consequences.

“Some of the things were shocking and I thought several times that either the laws (in Portugal) are a lot different or if I wrote the same in United Kingdom I would be in trouble”, she guarantees.

In the McCanns country, the threat of new lawsuits for defamation seems to have decreased the eager of some tabloids for information and the interest become to vanish and only increased with the first anniversary says Brunt.

For example, Sky news that made directs from Portugal in the months following the disappearance and had a section dedicated to the case in the Internet is not going to mark the anniversary in Praia da Luz.

“We are only interested in true developments”, says Brunt foreseeing the “emptiness” of the story.

To mark the anniversary, Kate and Gerry McCann gave interviews to national and international media the days before to try to relaunch the campaign to find their daughter.

But since they were made arguidos in the process, in September, that the news stop being about Madeleine to begin to be about her parents.

“The McCanns will always be in the news till they die. This story was too big for them to be forgotten”, says the sub-editor of the Guardian.

Martin Brunt still believes that the control of their image and their privacy depends on them but Greenslade has no doubts that the McCanns already lost that capacity and that everything they do will be under the scrutiny of public eye through the media.

“They are now a celebrity couple and all the events of their life will be exploited by the media, either when the twins go to school or for domestic problems”, he says.

“This family will be in the media for the rest of their lives”, he adds.

(Click here for the original article in Sol)

Caso Maddie

Família McCann vai estar na comunicação social para o resto da vida Da empatia à desconfiança, vários jornalistas britânicos reconhecem que foram cometidos excessos na cobertura do desaparecimento de Madeleine McCann, mas negam que o interesse pela vida privada da família vai decrescer

«O que fizemos a este casal não foi o nosso melhor momento como jornais», reconhece o ex-jornalista Roy Greenslade, em declarações à agência Lusa, passado um ano desde o desaparecimento da criança britânica, na altura com três anos, de um apartamento turístico na Praia da Luz, no Algarve.

Esther Addley, sub-editora do diário The Guardian, concorda que «não foi sempre edificante, nem admirável» o que foi escrito e dito no Reino Unido sobre o caso.

«Mas quando temos tantos jornalistas a tentar arrancar o mais pequeno pedaço de notícia, é nessa altura que se corre o risco de as coisas se descontrolarem», nota.

Apenas um dia depois do 03 de Maio de 2007, o assunto era abertura de todas as televisões e primeiras páginas de todos os jornais britânicos – para não falar dos portugueses, espanhóis e até de alemães ou japoneses – e a pequena localidade algarvia era invadida de jornalistas.

Parte do interesse gerado no público deveu-se, segundo Addley, ao facto de muitas pessoas se identificarem com a situação, o que levou os jornalistas a também mostrar empatia com o caso.

«É uma história que afecta muita gente porque é uma história de classe média, um pesadelo de ir para um complexo turístico calmo e o filho desaparecer», justifica.

Mas Greenslade, actualmente professor na Universidade City, em Londres, entende que a postura evoluiu, primeiro para uma fase do cepticismo, «que é a atitude certa para os jornalistas adoptarem, e depois para a desconfiança, quando eles foram tratados como suspeitos».

Na sua opinião, é esta posição que agora predomina, até porque os jornais reflectem as dúvidas e a reprovação dos leitores em relação aos McCann.

«A grande maioria das pessoas no Reino Unido pensa que eles não deviam ter deixado as suas crianças [sozinhas]», diz, citando os números de uma sondagem feita por Internet para o Sunday Times em Agosto de 2007, quando cerca de 70 por cento dos britânicos condenavam o casal por ter deixado os filhos sozinhos.

A tendência é comprovada pelo grande número de comentários hostis recebidos na página de Internet sobre o tema na Sky News, que, refere à Lusa o jornalista Martin Brunt, é superior às mensagens de incentivo.

Mas o correspondente em assuntos de Justiça do canal noticioso considera que a imprensa britânica continua, na generalidade, a apoiar os McCann, e que as críticas foram direccionadas contra a polícia portuguesa devido à ideia de se estar perante uma «investigação policial fraca».

«A dificuldade em saber com precisão o que é que a polícia está a fazer levou, em grande parte, às críticas da imprensa e à impressão de que a investigação não vai a lado nenhum», sustenta.

Um momento importante na mudança da forma como a cobertura do caso foi a acção iniciada pelos McCann contra o grupo Express, dos diários Daily Mirror e Daily Star, e que obrigou a um pedido de desculpas e ao pagamento de uma compensação financeira.

Ainda que o conteúdo difamatório fosse, alegadamente, retirado de notícias publicadas em Portugal, os jornais foram obrigados a admitir que não existem provas de que os pais estejam envolvidos no desaparecimento da filha, como chegaram a insinuar.

Esther Addley, que lê português, escandalizou-se muitas vezes com o que viu na imprensa portuguesa e espanta-se que os jornalistas portugueses não se preocupem com as consequências legais.

«Algumas coisas eram muito chocantes e pensei várias vezes que, ou as leis [em Portugal] são muito diferentes, ou se eu escrevesse o mesmo no Reino Unido estaria em sarilhos», assegura.

No país dos McCann, a ameaça de novos processos por difamação parece ter diminuído a saciedade de alguns tablóides por informação e o interesse entrou numa fase decrescente, que só ressurgiu com o primeiro aniversário, observa Brunt.

Por exemplo, a Sky News, que fez directos de Portugal nos meses seguintes ao desaparecimento e chegou a ter uma secção dedicada ao caso na página da Internet, não vai marcar o aniversário na Praia da Luz.

«Só estamos interessados em verdadeiros desenvolvimentos», vinca Brunt, prognosticando o «esvaziamento» da história.

Para marcar o aniversário, Kate e Gerry McCann desdobraram-se em entrevistas à comunicação social nacional e internacional nos dias anteriores para tentar relançar a campanha para encontrar a filha.

Mas, desde que foram constituídos arguidos no processo, em Setembro, que a notícia deixou de ser sobre Madeleine para passar a ser os seus pais.

«Os McCann vão estar sempre nas notícias até morrerem. Esta história foi demasiado grande para eles alguma vez serem esquecidos», diagnostica a sub-editora do Guardian.

Martin Brunt ainda acredita que o controlo sobre a sua imagem e privacidade depende deles, mas Greenslade não tem dúvidas de que os McCann já perderam essa capacidade e que tudo o que façam vai estar sob o olhar público através dos media.

«Eles são agora um casal celebrizado e todos os eventos da vida deles vão ser explorados pelos media, seja quando os gémeos forem para a escola ou por problemas domésticos», profetiza.

«Esta família vai estar nos media para o resto da vida deles», reforça.

Lusa/SOL

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